R$ 1000 Por/Aluno

Informações do Curso

O E-NEUROMAX Ped é o treinamento da trilha pediátrica da TOTEMAX desenhado para capacitar profissionais de saúde a reconhecer, estabilizar e intervir com segurança em emergências neurológicas pediátricas. É um treinamento fundamental para todo profissional que atua na linha de frente,
focado na transição entre a avaliação inicial e a estabilização neuroprotetora, garantindo que cada segundo seja aproveitado para preservar a função neurológica e prevenir desfechos catastróficos.

A proposta é resolutiva e operacional. O aluno aprende, na prática, a avaliar rapidamente o estado neurológico usando ferramentas padronizadas (Escala de Coma de Glasgow adaptada, Triângulo de Avaliação Pediátrica), a reconhecer sinais de hipertensão intracraniana, a escalar o manejo de crises
convulsivas, a classificar, tratar e estabilizar o paciente com trauma cranioencefálico e a identificar suspeita de meningite/encefalite com a urgência que o caso exige. O foco recai sobre a identificação rápida de red flags, a
execução segura de procedimentos críticos (como a punção lombar) e o manejo de intercorrências, capacitando a equipe multiprofissional a atuar com segurança
técnica e decisão sob pressão.

A importância deste treinamento é sustentada por evidências
epidemiológicas críticas:
As emergências neurológicas representam 5-10% das admissões em pronto-socorros pediátricos, com crises convulsivas sendo a apresentação mais frequente (3-5% de todas as crianças experimentam pelo
menos uma convulsão febril na infância). Meningites bacterianas, embora menos frequentes, apresentam mortalidade de 5-15% mesmo com tratamento adequado, e sequelas neurológicas ocorrem em 20-30% dos sobreviventes
quando há atraso diagnóstico. Traumatismo cranioencefálico (TCE) é a principal causa de morte e incapacidade em crianças, com 475 mil casos anuais nos EUA, sendo que 90% são leves, mas 10% evoluem para moderado/grave. O reconhecimento precoce e o manejo inicial adequado nas primeiras horas (a
“janela de ouro”) são determinantes para reduzir mortalidade, sequelas neurológicas permanentes e incapacidade. Portanto, o ENEUROPED é obrigatório para padronizar a assistência, garantir que a avaliação neurológica inicial seja precisa, que a estabilização seja neuroprotetora e que procedimentos
críticos sejam executados com segurança, reduzindo drasticamente o risco de desfechos desfavoráveis antes mesmo da transferência para a UTI ou neurocirurgia.

 

Informações Gerais do Treinamento

DURAÇÃO: 8 horas
NÚMERO DE ALUNOS POR TURMA: 8 alunos
PÚBLICO-ALVO: Médicos, estudantes de medicina, enfermeiros, estudantes de enfermagem, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, estudantes de fisioterapia.

  1. Habilidades Adquiridas:

    • Avaliação rápida e eficaz de sintomas neurológicos críticos.
    • Implementação de protocolos de emergência para AVC e
    convulsões.
    • Técnicas de estabilização e manejo inicial de pacientes com
    trauma craniano.

Avaliação Neurológica Inicial na Emergência: ABCDE Adaptado e Triângulo de Avaliação Pediátrica (TAP)

A avaliação neurológica rápida é o alicerce do manejo de emergências neurológicas. O aluno aprende a aplicar o Triângulo de Avaliação Pediátrica (TAP) para identificar o problema fisiológico em segundos: aparência (nível de consciência, responsividade), trabalho respiratório (padrão, esforço) e circulação (perfusão, cor). Após a estabilização das ameaças imediatas à vida (via aérea, respiração, circulação), segue-se a sequência Avaliar (ABCDE) → Identificar → Intervir. O módulo enfatiza a Escala de Coma de Glasgow (ECG) pediátrica, adaptada para crianças menores de 5 anos, como ferramenta de estratificação de gravidade. Red flags neurológicas são identificadas: pupilas anisocóricas, postura de descerebração, convulsões refratárias, sinais de hipertensão intracraniana (bradicardia, hipertensão, respiração irregular — tríade de Cushing), rigidez de nuca, fontanela abaulada em lactentes. A glicemia é verificada imediatamente em todo paciente com alteração neurológica, pois hipoglicemia é reversível e frequentemente negligenciada.

Crise Convulsiva e Estado de Mal Convulsivo: Manejo Escalonado 

  • Convulsão febril simples (duração < 15 minutos, generalizada, sem recorrência no mesmo dia, sem déficit neurológico pós-ictal)
  • Convulsão febril complexa (duração > 15 minutos, focal, recorrência, déficit pós-ictal)
  • Estado de mal convulsivo (EMC) — definido como convulsão contínua > 5 minutos ou múltiplas convulsões sem recuperação de consciência entre elas.
 

O manejo escalonado é prático:

  • Primeira linha: Benzodiazepínicos (lorazepam IV/IM ou diazepam retal) — o aluno aprende a dose exata por peso e via de administração.
  • Segunda linha: Fenitoína ou fosfenitoína IV (se benzodiazepínico falhar).
  • Terceira linha: Propofol ou midazolam em infusão contínua para EMC refratário, com necessidade de intubação e sedação.
 

Traumatismo Cranioencefálico (TCE) Pediátrico: Classificação, Estabilização e Neuroproteção

O aluno aprende que 90% dos TCEs são leves, mas mesmo estes podem evoluir para grave se não monitorados.

  • Classificação da gravidade do trauma
  • Decisão: fazer ou não fazer TC de crâneo
  • Escala de Coma de Glasgow (ECG) adaptado para pediatria
 

O manejo inicial segue princípios de neuroproteção:
● Manutenção de oxigenação e ventilação
● Manutenção de pressão arterial
● Elevação da cabeceira a 30°
● Normotermia
● Glicemia controlada
● Quando usar anticonvulsivante
● Sedação/analgesia adequada: Reduz agitação e picos de pressão intracraniana

 

Meningite e Encefalite Pediátrica: Suspeita Clínica, Epidemiologia e Medidas Imediatas

  • História clinica, sinais e sintomas principais
  • Meningite e encefalite: qual a diferença?
  • Classificação epidemiológica por idade
  • Como fazer o diagnóstico correto: a coleta de LCR
  • Devo fazer tomografia antes da coleta de LCR?
  • Tratamento
    o Antibiótico é necessário?
    o Isolamento é necessário?
    o Quando usamos corticoides sistêmicos
    o Quando usamos anticonvulsivantes
    o Quando indicar quimioprofilaxia de contactuantes
 

 

Punção Lombar (Coleta de Líquor Cerebrospinal): Indicações, Técnica e Cuidados

A punção lombar é um procedimento crítico em emergências neurológicas. O aluno aprende:

  • Indicações
  • Contraindicações relativas (não absolutas):
  • Técnica prática:
    o Posicionamento adequado para procedimento
    o Local correto da punção e antissepsia correta
    o Materiais adequados e inadequados para coleta
    o Técnica de punção
    o Confirmação da coleta: material com hemorragia – o que fazer?
    o Quanto material deve ser coletado e onde enviar: cidados com a amostra o Complicações da coleta de LCR

 

ATUAÇÃO PRÁTICA

A Experiência Prática: “Mão na Massa”

A atuação do aluno no ENEUROPED é 100% ativa. O foco não é a
fisiopatologia complexa, mas a operação segura e rápida em cenários realistas. O aluno aprende a aplicar ferramentas de avaliação (TAP, ECG), a tomar decisões sob pressão, a executar procedimentos críticos (punção lombar) e a comunicar-se com a equipe de forma clara e estruturada.

A dinâmica é baseada em Repetição Deliberada: o aluno executa o cenário, recebe feedback imediato do instrutor, identifica erros e acertos, e repete até que a resposta seja automática e segura. O foco está na performance de equipe — treinamos o profissional de saúde para liderar o “caos organizado”,
onde cada segundo conta para preservar a função neurológica da criança.

Cenário de Convulsão Febril Complicada vs. Estado de Mal Convulsivo

  • O Desafio: Uma criança de 18 meses chega ao pronto-
    socorro com febre (39,5°C), convulsionando há 8 minutos.Os pais estão desesperados. A criança está em posição de

descerebração, com salivação abundante. O monitor mostra
FC 160 bpm, SpO2 88%, sem acesso venoso.

A Ação:

o Aplicar o TAP em segundos, seguir ABCDE;
o Investigação diagnóstica: exame de imagem? Coleta
de LCR?
o fluxograma do tratamento adequado na sala de
emergência
Debriefing: O instrutor analisa a velocidade de resposta, a
qualidade da comunicação, a decisão de intubar e a
segurança do procedimento. O aluno entende que
reconhecer EMC precocemente e agir rápido é a diferença
entre recuperação completa e sequelas neurológicas
permanentes.

Cenário de Traumatismo Cranioencefálico com Rebaixamento de Consciência

O Desafio: exemplo: criança de 6 anos sofre queda de
bicicleta, bate a cabeça. Inicialmente acordada, mas 20
minutos depois apresenta vômitos, sonolência progressiva,
pupilas anisocóricas (direita > esquerda). ECG = 12;
A Ação: O aluno deve:
o Classificação do trauma
o Fazer ou não TC de crâneo; quanto tempo
permanecer em observação
o Reconhecer sinais de hipertensão intracraniana
o Estabilizar via aérea, manter oxigenação; quando
entubar?
o Manter pressão arterial adequada para idade
o Elevar cabeceira a 30°
o manter normotermia, sedação/analgesia adequada.
o Solicitar CT de crânio
o Comunicar com neurocirurgia
Debriefing: O instrutor enfatiza que a neuroproteção nas
primeiras horas é determinante. Atraso em intubar,
hipotensão ou hipoxemia podem converter um TCE
moderado em grave. O aluno sai com a sensação de “eu já
vivi isso” e sabe exatamente o que fazer.

Cenário de Suspeita de Meningite com Choque e Necessidade de
Priorização Terapêutica

O Desafio: exemplo: criança de 3 anos chega com febre
(40°C), irritabilidade extrema, rigidez de nuca, petéquias em
tronco. Pressão arterial 80/50 mmHg (hipotensão para a
idade), extremidades frias, enchimento capilar > 2
segundos. Suspeita de meningite com choque séptico
A Ação: O aluno deve:
o Reconhecer choque
o Administrar antibiótico empírico de imediato? Ou
aguarda punção lombar?
o Deve administrar dexametasona?
o Fazer o procedimento adequado para punção lombar
Debriefing: O instrutor enfatiza que atraso em antibiótico
aumenta mortalidade e sequelas. A decisão de priorizar
ressuscitação volêmica sobre punção lombar é crítica. O
aluno aprende que em emergências, às vezes é necessário
fazer múltiplas coisas simultaneamente, com equipe bem
organizada.

Estação Prática: Punção Lombar

O Desafio: O aluno deve executar punção lombar em
manequim pediátrico, com técnica estéril, posicionamento
correto, identificação do espaço L3-L4, coleta de amostra e
cuidados com a amostra.
A Ação:
o Posicionar o manequim e identificar local correto
o Realizar antissepsia e técnica estéril.
o Analgesia local: deve ser feita?
o Forma correta de inserir a agulha para coleta.
o LCR parou de pingar: o que fazer?
o Retirar agulha, curativo estéril.
o Processar amostra corretamente
Debriefing: O instrutor analisa a técnica, a segurança, a
comunicação com o “paciente” (mesmo que manequim) e a
manipulação correta da amostra. O aluno sai sabendo
exatamente como fazer.

O Debriefing: Reflexão para a Excelência
O debriefing no ENEUROPED é o momento em que o “clique” do
aprendizado acontece. Após cada cenário, o instrutor utiliza uma abordagem
baseada em evidências para analisar a performance:
● Análise de Decisão: O instrutor mostra o que aconteceu quando o aluno
tomou uma decisão (ex: “Quando você decidiu intubar, a criança foi
protegida de aspiração e conseguimos manter oxigenação adequada”).
● Segurança Psicológica: O erro cometido no cenário é transformado em
uma lição valiosa. O aluno entende o “porquê” de cada ação, sem medo
de julgamento.
● Foco na Priorização: Discutimos a sequência de ações (o que fazer
primeiro, o que pode esperar), a velocidade de resposta e a precisão nas
decisões. O comercial pode reforçar: “O debriefing garante que o aluno
não apenas decore protocolos, mas entenda a lógica da emergência
neurológica”.

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